Como quem dança consigo...#00343
Como quem dança consigo mesmo, fiz uma lista de coisas que eu posso fazer sem depender de ninguém para isso
Posso crescer sem estar em guerra comigo.
Posso descansar sem culpa.
Posso criar sem transformar tudo em prova de valor.
Posso sentir prazer sem precisar justificar minha existência através da produtividade.
Posso confiar no processo sem controlar cada detalhe.
Posso desacelerar sem perder quem sou.
Posso existir mesmo quando não estou performando.
Posso tolerar o silêncio sem preenchê-lo com urgência, drama ou distração.
Posso viver relações calmas sem confundir paz com falta de profundidade.
Posso sentir intensidade sem me perder dentro dela.
Posso escolher estabilidade sem me tornar rígido.
Posso construir uma vida bonita sem precisar sofrer para merecê-la.
Posso criar por prazer, não apenas para aliviar dor.
Posso errar sem transformar o erro em identidade.
Posso aprender devagar.
Posso ser iniciante.
Posso mudar de ideia sem sentir que falhei.
Posso ser amado sem precisar impressionar.
Posso existir sem audiência.
Posso reconhecer meu brilho sem depender dele para me sentir real.
Posso cuidar do meu corpo como um lugar seguro, e não como uma máquina de desempenho.
Posso construir disciplina com gentileza.
Posso fazer menos sem perder valor.
Posso parar de sobreviver o tempo inteiro.
Posso respirar.
Posso ocupar minha vida com presença em vez de tensão.
Posso continuar desenvolvendo meus talentos por prazer, curiosidade e amor pela experiência de estar vivo.
Posso permitir que a leveza exista sem suspeitar dela.
Posso descansar sem precisar desaparecer.
Posso deixar de transformar cada desafio em prova definitiva sobre quem eu sou.
Posso aceitar que nem tudo precisa ser intenso para ser verdadeiro.
Posso abandonar o vício em urgência.
Posso viver sem transformar cansaço em identidade.
Posso construir uma vida que não precise me ferir para parecer significativa.
Posso parar de amar os outros às custas de mim mesma.
Posso enxergar a dor das pessoas sem justificar aquilo que me machuca.
Posso ter limites sem sentir culpa.
Posso escolher a mim mesma sem transformar isso em abandono dos outros.
Posso parar de me diminuir para caber na imaturidade emocional de alguém.
Posso ir embora do que me drena.
Posso proteger minha paz sem endurecer meu coração.
Posso ser inteira sem precisar ser perfeita.
Talvez eu não tenha alcançado meu máximo poder.
Talvez eu esteja finalmente deixando de usar minha força para sobreviver o tempo inteiro.
E talvez exista mais poder nisso do que em qualquer versão minha construída apenas para aguentar dor.
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