Zero na redação #00261
Penso que a recente proposta de redação da FUVEST, ao afirmar que “o perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado”, não apenas convidou os candidatos a uma reflexão ética, mas obrigou a distinguir algo que o senso comum frequentemente confunde. Perdoar não é esquecer, não é absolver, não é reconciliar-se, e muito menos devolver ao agressor o direito de voltar a ocupar o espaço da vítima. Em abstrato, o tema pode parecer filosófico; na vida concreta, porém, ele se revela urgente. Há situações em que o perdão pode funcionar como libertação interior; outras em que precisa ser condicionado ao reconhecimento da culpa, à reparação do dano e à mudança real de conduta; e outras, ainda, em que deve ser severamente limitado, quando a integridade física, psíquica e moral de quem sofreu a violência exige distância, proteção e justiça. Em casos de violência doméstica, essa distinção deixa de ser teórica e se torna vital: exigir da vítima um perdão que implique retorn...