Perseguição aos terreiros # 00456
Durante décadas, práticas religiosas afro-brasileiras foram estigmatizadas e perseguidas. Terreiros enfrentaram intervenções policiais, apreensões de objetos sagrados e acusações de curandeirismo ou prática ilegal. No Rio de Janeiro, a repressão às religiões afro-brasileiras está documentada desde o final do século XIX e continuou durante as primeiras décadas do século XX. Imagine uma comunidade reunida para cantar, tocar seus instrumentos, cuidar de seus doentes e realizar seus rituais. Para seus integrantes, aquilo era religião. Para setores da sociedade e das autoridades da época, aquelas práticas podiam ser tratadas como superstição, desordem ou ameaça. Esse contexto ajuda a compreender por que algumas lideranças umbandistas procuraram apresentar sua religião em termos reconhecíveis para a sociedade dominante, enfatizando a caridade, a moral cristã e a mediunidade. A construção da identidade pública da Umbanda também esteve relacionada a disputas de classe, raça e legitimidade...