Teses, antíteses, sínteses #00220
Prezado professor doutor, Posso depositar em você a minha tese sobre o amor, mesmo sabendo que ela ainda não se sustenta sozinha? Ela ainda precisa de escuta, de atrito, talvez até de discordância. Amar seria aceitar que o pensamento precisa de um corpo outro para ficar em pé? Trago comigo as antíteses que a atravessam. Observando-te, aprendi que amar nem sempre é resolver. Presumo que há sistemas tão complexos que não conseguem provar a si mesmos; quando tentam se fechar, revelam apenas seus limites. Há verdades que só aparecem fora do sistema. Não é uma tese acabada. É apenas o que consegui desenvolver enquanto te amava em silêncio. Talvez nenhuma tese sobre o amor se sustente sozinha. Talvez esse seja o seu critério de verdade. As certezas falham, as demonstrações cedem, os axiomas tremem. Só não falha esta: a vida é muito melhor com você. Preciso de você não para resolver, mas para sustentar esta problemática. Em silêncio, enxerguei algo muito bonito. Nem tudo no amor pode virar li...