Conheço-te de outros carnavais...#00223
Há pessoas que confundem organização com virtude, eficiência com ética e controle com maturidade. Andam eretas, orgulhosas de “aguentar tudo”, como se a própria exaustão fosse um título de nobreza. Carregam a cruz como troféu. Não são más. Foram treinadas cedo demais para sobreviver endurecendo. O problema é que o endurecimento não revisitado apodrece. Incapazes de falhar, intolerantes à própria fragilidade, tornam-se implacáveis com a fragilidade alheia. O veneno não nasce do ódio, mas da repressão. Quando alguém falha onde elas jamais se permitem falhar, o veneno escapa. Não como ataque consciente, mas como reflexo. A fraqueza do outro denuncia a mentira que sustenta a força delas. Aprende-se muito com as cartas do tarô. Não como adivinhação, mas como espelhos da psique e da cultura. A Rainha de Espadas observa em silêncio, percebe o fio da lâmina antes do corte. Não se engana com bolos ou sorrisos que tentam acalmar os venenos usados na rotin...