Lugares e lugares # 00243
Durante muitos anos ficamos sem nos ver. A vida costuma espalhar as pessoas em direções imprevisíveis e, quando elas se reencontram, já não são exatamente as mesmas. Meu primo, por exemplo, havia prosperado. Tinha uma agência de viagens, vendia vinhos caros e falava com naturalidade sobre clientes que pareciam habitar um planeta onde o dinheiro não é exatamente um problema, mas uma espécie de idioma. Foi ele quem nos convidou para jantar. Um banquete, disse. Havia entusiasmo na palavra, como se o jantar fosse também uma pequena demonstração de vitória pessoal. Quando chegamos à casa, ele nos levou imediatamente para conhecer o que chamava de seu bar. Ficava em um cômodo à parte da casa, organizado com um zelo quase cerimonial. Garrafas alinhadas, utensílios brilhando, tudo disposto com a elegância um pouco esforçada de quem gosta de mostrar que aprendeu recentemente certos rituais do conforto. Ele parecia feliz em explicar cada detalhe. Falava dos vinhos, dos ingredientes, d...