E se...#00234
E se vivêssemos num mundo onde todos se tratassem bem? Se a gentileza fosse o chão comum, o ar que se respira, o gesto automático, o que faria alguém parar diante de outra pessoa e não apenas seguir adiante? Se ninguém ferisse por descuido, se todos fossem disponíveis, atentos, educados, o que restaria para diferenciar um vínculo de uma convivência? O que nos faria escolher alguém quando o alívio já não fosse critério, quando o carinho não fosse raro, quando ser visto não fosse privilégio? Seria o desejo, mas como reconhecer desejo num mundo onde ninguém precisa ser desejado para sobreviver? Seriam os valores, mas como testá-los se o conflito não nos empurrasse para o limite? E se, nesse mundo gentil, amar deixasse de ser resposta à falta e passasse a ser pergunta aberta? Quantas pessoas aceitaríamos perder antes de escolher ficar? Quantas ficaríamos dispostos a deixar ir sem transformar isso em fracasso? E se o amor, nesse cenário, fosse menos encontro e mais decisão? Menos necessidad...