Diagnóstico moral #00213
Há um tipo de exploração que se aproxima sorrindo. Ela convida para o café. Chama pelo nome. Bate nas costas como quem reconhece esforço. É uma exploração que cria intimidade para reduzir resistência. O café não é gentileza. É estratégia. O toque não é cuidado. É marcação de território. Ela finge que se importa. Ouve a tua história com atenção treinada. Faz perguntas no ponto certo. Concorda no momento exato. Mas não escuta para compreender. Escuta para mapear. Tudo o que toca é avaliado em termos de vantagem. Cada fragilidade vira dado. Cada afeto, uma alavanca. Ela oferece conversa enquanto retira limites. Oferece escuta enquanto amplia demandas. E tenta trocar o que não lhe pertence — o corpo, a saúde, a disposição do outro — por algo chamado engajamento. Comprometimento, nesse vocabulário, significa ir além do que é possível sem jamais nomear o custo. A exaustão vira detalhe. O adoecimento vira fragilidade individual. E o excesso, mais uma vez, é normalizado com afeto performático....