Onde e com quem vale a pena estar #00294
Há um tipo de cansaço que não vem do trabalho. Vem das pessoas. Não de todas — de algumas. As mesmas. As previsíveis. As que exigem mais do que entregam, mais do que sustentam, mais do que qualquer convivência razoável deveria cobrar. É um cansaço que não aparece no corpo de imediato. Ele começa antes, num lugar mais discreto. Começa na antecipação. Você chega e já sabe. Sabe quem vai tensionar o ambiente, quem vai medir palavras, quem vai testar limites disfarçando de conversa comum. Sabe quem transforma um “bom dia” em abertura estratégica, quem lê além do que foi dito só para ter o que devolver. E aí o corpo responde. Antes mesmo de qualquer coisa acontecer, já vem um peso. Uma vontade de economizar presença. De reduzir interação ao mínimo necessário. De não abrir espaço. Porque abrir espaço custa. E você já pagou demais. Há um momento em que a gente entende que não é sobre conflito pontual. É sobre padrão. Sobre repetição. Sobre um tipo de convivência que drena, que desgasta, que e...