Auditores independentes com direito a saques? #00356
Existe um tipo curioso de visitante doméstico. Ele não toca a campainha como quem chega à casa de outra pessoa. Ele entra como quem retorna a uma propriedade da qual nunca foi proprietário. Abre a geladeira sem perguntar. Levanta tampas de panelas. Olha o interior dos armários. Acende luzes. Abre portas. Acorda os moradores. Liga a televisão. Circula pelos cômodos com a desenvoltura de quem acredita conhecer o lugar melhor do que quem mora nele. E talvez conheça mesmo. Ou pelo menos acredita conhecer a versão da casa que existe dentro da própria cabeça. Porque o problema nunca é a casa real. É a comparação constante com uma casa imaginária. Uma casa que serve de medida para todas as outras. Naquela casa o arroz fica em tal lugar. Naquela casa a carne é preparada de tal forma. Naquela casa as toalhas são dobradas de outro jeito. Naquela casa as pessoas organizam melhor as compras. Naquela casa as coisas funcionam. E toda vez que a realidade não coincide com a memória, surge um pequeno j...