O sentido da vida #00285
Há momentos na vida em que algumas perguntas deixam de ser curiosidade e viram incômodo. Nestes momentos, nem sempre basta filosofar, pois o possível vazio das coisas se sustenta frente ao nosso olhar. Mas a pergunta continua martelando: qual o sentido de tudo o que vivemos? Nesse ponto, o sentido da vida deixa de parecer uma resposta única e começa a se fragmentar em possibilidades que competem entre si, cada uma oferecendo uma forma diferente de suportar a existência. Uma dessas possibilidades afirma que não há sentido algum. Eu confesso que esta possibilidade me vem sempre que eu fico diante do caixão de alguém e muitas vezes até o chorar perde o sentido. O universo não explica nada, não promete nada, não se importa. Tudo o que chamamos de propósito seria apenas uma construção tardia da mente tentando organizar o acaso. Essa visão não é confortável, mas tem uma força estranha: ela elimina ilusões. O risco é claro. Sem um eixo externo, sobra apenas o peso da li...