O peso exato de um abraço #00391
Passei meses acreditando que algumas dores não encontrariam tradução. Há sofrimentos que não nascem do excesso de trabalho, mas da injustiça. Da incompetência travestida de autoridade. Da sensação de que quem deveria proteger foi justamente quem feriu. Não são dores barulhentas. São aquelas que se instalam devagar, roubando a confiança, a espontaneidade e até a alegria de chegar aos lugares. Às vezes, a vida nos tira de um ambiente não porque fracassamos, mas porque permanecer nele custaria partes demais de nós. Foi assim que atravessei esse tempo. Até que hoje aconteceu algo pequeno para quem olhava de fora. Recebi um abraço. Não um abraço protocolar. Nem daqueles distribuídos por educação. Recebi um abraço que parecia dizer, sem uma única palavra: "Eu vejo o que você atravessou." Há um tipo de acolhimento que não tenta explicar a dor, nem oferecer soluções. Apenas reconhece a existência dela. E esse reconhecimento, curiosamente, devolve um pouco da nossa própria ex...