Santa eficiência vazia de sentido #00291
Há sempre alguém que chega mais rápido. Resolve antes, responde antes, encerra antes. Não pergunta, não hesita, não perde tempo com o que chama de rodeio. Fala como quem já decidiu e escuta como quem já terminou. No começo, impressiona. Em ambientes cansados, vira referência. Em ambientes desorganizados, vira solução. Em ambientes adoecidos, vira regra. Ninguém diz abertamente, mas todo mundo aprende a frase: é assim mesmo… mas resolve. E pronto. Está concedida a licença. A partir daí, a pressa vira método. A impaciência ganha status de objetividade. A grosseria, bem dosada, começa a parecer eficiência. Corta-se a fala do outro para “otimizar”. Ignora-se contexto para “ganhar tempo”. Responde-se atravessado porque “o importante é entregar”. E entrega. Entrega rápido, entrega seco, entrega sem ruído emocional — como gostam de dizer. O que não entra na conta é o resto. A pergunta que não foi feita. O erro que cresceu em silêncio. A ideia que morreu antes de nascer porque ninguém quis se ...