Os pequenos reinados
Há lugares em que uma porta é apenas uma porta. E há lugares em que uma porta fechada provoca uma pequena crise de Estado. Na semana passada, cheguei a um espaço novo. Meu trabalho ali envolve coisas que não podem circular livremente. Pessoas procuram aquele lugar para contar situações delicadas. Há documentos que precisam ser protegidos, informações que não podem passear pelos corredores e processos cuja existência, muitas vezes, já exige discrição. Não era preciso inventar uma regra. A regra já existia. Portas fechadas quando necessário. Senhas protegidas. Acessos controlados. Cuidado com documentos. Periodicamente, senhas novas. Coisas bastante prosaicas para quem entende que sigilo não é uma questão de personalidade. É método. Observei como o espaço funcionava, conversei com as pessoas que efetivamente trabalham ali e fiz o que precisava ser feito. Tranquei a porta. Foi então que percebi uma coisa curiosa. Há pessoas que não possuem a chave de uma porta, mas se comportam como se fo...