Maquiagens #00337
As universidades gostam muito de se imaginar como templos da consciência humana. E talvez esteja aí o primeiro problema. Porque quando um lugar passa tempo demais acreditando na própria superioridade moral, ele começa a perder a capacidade de enxergar a própria sombra. A maquiagem moral universitária é sofisticada. Muito mais sofisticada do que a brutalidade explícita de outros ambientes. Ela não costuma gritar. Cita autores. Não ameaça diretamente. Abre edital. Não exclui frontalmente. Cria critérios. Não censura. “Reformula fluxos.” Não controla. “Alinha procedimentos.” Tudo acontece através de linguagem legitimada pelo prestígio intelectual. E isso torna a violência muito mais difícil de nomear. Porque universidades descobriram uma coisa perigosíssima: vocabulário progressista pode perfeitamente coexistir com práticas emocionalmente medievais. Então surgem ambientes que discursam diariamente sobre: diversidade, inclusão, escuta, saúde mental, pluralidade, democracia, dire...