Sobre paixões... #00231
E se apaixonar-se fosse menos um encontro e mais um estado? Talvez a paixão não seja exatamente sobre o outro, mas sobre o que acontece dentro de quem sente. Um tipo de suspensão. Algo próximo de uma embriaguez que pode elevar, inspirar, dar cor e, ao mesmo tempo, reduzir o senso crítico. Não porque a pessoa “quer se enganar”, mas porque, nesse estado, a lucidez costuma ceder espaço à vertigem. Quando estamos apaixonados, tendemos a ver mais do que está ali. Projetamos, completamos, inventamos. Não há má-fé. O desejo trabalha rápido e a imaginação coopera. O outro vira promessa, símbolo, resposta antecipada. A pessoa real ainda está lá, mas encoberta por uma camada de expectativa. Talvez por isso tudo pareça tão intenso no início. Não necessariamente porque seja profundo, mas porque é absoluto. Nesse estado, o julgamento se desloca. Aquilo que antes soaria estranho passa a ser compreensível. O que incomodaria vira detalhe...