Esperança #00253
Quando o médico saiu da sala, ninguém falou nada por alguns segundos. A família de Dona Lúcia ficou sentada em silêncio, como se o ar tivesse ficado mais pesado. A palavra tinha sido dita com cuidado, mas clara o suficiente: difícil. Tratamento longo. Chances incertas. Muitos “vamos ver”. Alguns começaram imediatamente a pesquisar no celular. Outros tentavam lembrar de alguém que tinha passado por algo parecido. Uma sobrinha falava sobre novos tratamentos que tinha visto na internet. Dona Lúcia apenas ouvia. Quando todos saíram para resolver papéis e telefonemas, ela ficou sozinha no quarto do hospital. A janela dava para um pedaço pequeno de céu entre dois prédios. O tipo de vista que ninguém chama de bonita, mas que ainda assim deixa entrar luz suficiente para lembrar que o dia continua acontecendo lá fora. Uma enfermeira entrou alguns minutos depois para ajustar o soro. — A senhora está confortável? — perguntou. — Estou — respondeu Dona Lúcia. A enfermeira hesitou antes de sair. — A...