O prazer de corrigir e a incapacidade de reconhecer #00466
Há pessoas que parecem sentir uma satisfação particular em encontrar falhas no trabalho alheio. Não necessariamente porque tenham uma contribuição melhor a oferecer, mas porque a identificação de um suposto erro lhes permite ocupar, ainda que por alguns instantes, uma posição de superioridade. Corrigir, nesse contexto, deixa de ser uma atividade voltada ao aperfeiçoamento e passa a funcionar como uma forma de afirmação pessoal. A pessoa não quer apenas que o trabalho fique melhor. Quer que fique evidente que foi ela quem percebeu o problema, quem soube fazer diferente, quem precisou intervir. O mais curioso é que, muitas vezes, aquilo que ela apresenta como correção não passa de preferência pessoal. Uma escolha de palavras é substituída por outra, uma frase é reorganizada, uma solução é trocada por uma alternativa igualmente possível. Em vez de reconhecer que existem diferentes maneiras de produzir um resultado adequado, a pessoa transforma sua preferência em medida de competência. É a...