Necropolítica, Achile Mbembe #00320
A discussão sobre racismo estrutural já é incômoda por si só. Ela desmonta a ideia de neutralidade e mostra que desigualdades não são acidentes. Mas, quando essa leitura é cruzada com a Critical Race Theory e levada adiante pela noção de necropolítica, o nível de análise muda de forma decisiva. Já não se trata apenas de quem tem menos oportunidades. A pergunta se torna mais dura: quem o sistema deixa viver — e quem ele aceita que morra. O conceito de necropolítica, formulado por Achille Mbembe, parte de uma constatação desconfortável: o poder contemporâneo não se limita a organizar a vida social. Ele também administra a morte. Não apenas por violência direta, mas pela exposição sistemática a condições de risco — ausência de políticas públicas, abandono estatal, seletividade policial. Morrer deixa de ser acidente. Vira resultado previsível. Quando você olha para o Brasil através dessa lente, a engrenagem deixa de ser abstrata. Ela se revela concreta, repetit...