A História Desencantada #00276
Quando eu era muito jovem, investi meu desejo, minha esperança e parte do meu valor numa figura masculina que me parecia especial, superior e difícil de alcançar. Desenvolvemos uma proximidade limitada. Houve promessas, viagens, cumplicidades e sinais suficientes para manter meu investimento, mas não houve clareza, assunção nem entrega proporcional. Eu me vi disputando atenção, esperando definição, tentando decifrar silêncios e aceitando migalhas como se fossem sinais de profundidade. Eu não estava apenas gostando de um homem. Eu estava sendo capturada por uma imagem de masculino que misturava carisma, indisponibilidade e poder. Isso me fascinava porque ativava em mim a fantasia de ser escolhida por alguém difícil, elevado e inacessível. O vínculo não amadureceu porque lhe faltava substância. Havia atmosfera, mas não estrutura. Havia magnetismo, mas não coragem. Havia promessa, mas não responsabilidade. Quando finalmente houve um gesto concreto, eu intuí um limite e não entreguei mais ...