Correntes # 00477
Há correntes que não fazem barulho. Não deixam marcas nos pulsos, não impedem que a gente saia de casa, trabalhe, sorria, viaje, conheça outras pessoas. Por fora, tudo parece liberdade. Por dentro, porém, alguma coisa continua amarrada. Às vezes, sorrimos enquanto apertamos os próprios elos. Chamamos de esperança aquilo que já se tornou espera. Chamamos de amor aquilo que talvez seja apego. Chamamos de destino aquilo que não conseguimos abandonar. Há relações que nunca chegaram a acontecer, mas continuam acontecendo dentro da nossa cabeça. Pessoas com quem não vivemos uma história, mas com quem imaginamos tantas possibilidades que a ausência acaba adquirindo uma espécie de existência própria. Há também as relações mal terminadas. Aquelas que deixam perguntas sem resposta, palavras atravessadas, promessas interrompidas e uma vontade persistente de voltar ao passado para corrigir uma cena, obter uma explicação ou finalmente ouvir aquilo que nunca foi dito. E cada tentativa de resolver me...