Oi, sumida! #00292
Há mensagens que chegam como se nada tivesse acontecido. Curta, leve, quase afetuosa: oi, sumida. Como quem bate à porta de uma casa onde nunca ficou o suficiente para entender por que ela fechou. Não há pergunta. Não há contexto. Não há memória. Só uma tentativa de reentrada. O “sumida” ali não é constatação. É estratégia. Um jeito elegante de não assumir ausência. Porque, se você sumiu, a responsabilidade é sua. Se você desapareceu, foi você quem rompeu o fio. Quem escreve se absolve. E ainda parece gentil. É uma engenharia simples e eficaz: transforma silêncio em descuido seu, e não em desinteresse alheio. Apaga os intervalos, ignora os vazios, passa por cima de tudo o que ficou sem resposta — como se relações não tivessem acúmulo. Como se não houvesse histórico. Mas há. Há as mensagens que não vieram. Os convites que não foram feitos. Os dias em que você poderia ter sido lembrada e não foi. E, de repente, reaparece um “oi” com pretensão de continuidade. Sem transição. Sem responsab...