A síndica de porcaria nenhuma #00405
“Esta sala tem plantas demais.” Disse a síndica de porcaria nenhuma. Não era exatamente uma síndica. Não havia condomínio, assembleia, convenção, eleição, ata ou qualquer outro elemento que pudesse conferir legitimidade ao cargo. Mas havia nela uma coisa importante: convicção. E a convicção, como sabemos, é frequentemente o último recurso de quem não possui autoridade. Ela olhou para as plantas como quem inspeciona uma ocupação irregular. “E esse lugar que você está era meu.” Era. Era mesmo? Não! Nunca foi! Mas o verbo no passado não a impede de reivindicá-lo num presente que só existe mesmo em sua mente. Há pessoas que desenvolvem uma relação muito criativa com a propriedade. Se um dia sentaram em uma cadeira, a cadeira passa a integrar seu patrimônio histórico. Perguntei, então, por que ela não estava ocupando o lugar. Foi quando surgiu a grande explicação. Um dia ela trabalharia na Procuradoria-Geral. Usaria salto alto. Estaria entre os engravatados. Tu...