Empatia Interrompida #00342
A recepcionista do prédio onde bato ponto diariamente me contou sobre o filho como quem fala de uma obra rara que o mundo insiste em tentar riscar. Alto. Bonito. Inteligente. Educado. Desses rapazes cuja presença reorganiza discretamente o ambiente. Não por arrogância. Não por performance. Mas porque existem pessoas cuja existência possui uma espécie de dignidade luminosa que antecede qualquer apresentação formal. Ela falava dele com aquele orgulho cansado das mães que sabem exatamente o tamanho do esforço necessário para colocar um menino negro vivo, íntegro e gentil diante do mundo sem que o mundo tente destruí-lo cedo demais. Foram juntos ao hospital. Lugar curioso, hospital. Ali a humanidade desfila sem maquiagem suficiente para esconder completamente sua miséria moral. Entre corredores frios e cadeiras de plástico, as máscaras sociais costumam escorregar um pouco. Foi então que entraram adolescentes uniformizados de um conhecido colégio particular da cidade. Daqueles co...