Do que depende a minha paz #00295
A paz, dizem, é um estado. Mas quase sempre ela é uma decisão atrasada. A gente passa o dia reagindo. Opina, corrige, antecipa, comenta o que não pediu comentário. Ajusta o mundo na fala como se a fala tivesse esse poder. E, no fim, culpa o barulho externo pelo cansaço interno. A paz não depende do silêncio dos outros. Depende do seu limite de intervenção. Há uma tentação elegante em julgar. Dá a sensação de controle, de clareza, de superioridade discreta. A gente organiza o mundo classificando: certo, errado, razoável, absurdo. E vai falando. Falando como quem afina um instrumento que não é seu. Só que cada palavra gasta um pouco do que você chama de paz. E, curiosamente, o retorno é baixo. Você corrige alguém e o mundo não melhora. Você comenta mais do que deve e a realidade não se reorganiza. No máximo, você alimenta um circuito que pede mais opinião, mais posicionamento, mais presença onde talvez bastasse menos. Paz não é ausência de estímulo. É ausência de compulsão. Compulsã...