A pessoa que o tempo está fazendo de nós #00436
Há perguntas que só aparecem quando percebemos que o tempo não é infinito. Não precisam esperar uma doença, uma perda ou uma tragédia. Às vezes basta uma data no calendário. Um aniversário. Uma fotografia antiga. Uma criança que cresceu. Uma roupa que já não serve. Um lugar que mudou. Ou simplesmente setembro. O ano já atravessou a metade. Janeiro começa a parecer distante e dezembro já não parece tão abstrato. É uma posição estranha no calendário. Estamos longe do começo e ainda não chegamos ao fim. É justamente aí que “Daqui a vinte e cinco anos” , de Clarice Lispector, começa a fazer sentido. Porque pensar no futuro não é apenas imaginar o que teremos. É perguntar quem seremos . Essa é uma diferença que costumamos ignorar. Fazemos planos como quem organiza objetos. Quero uma casa. Quero dinheiro. Quero viajar. Quero mudar de trabalho. Quero aprender alguma coisa. Quero morar em outro lugar. Mas quase nunca perguntamos: Que tipo de pessoa será necessária para ...