Os melasmas da vida #00271
Há coisas que não passam. Só pigmentam. Há marcas que não nascem da ferida. Nascem da insistência. O melasma é uma delas. Não sangra. Não pede curativo. Não mobiliza piedade. Ainda assim, altera a paisagem. Primeiro, uma sombra. Depois, um sombreado. Um acastanhado discreto no lugar exato onde a luz costuma ser mais cruel. A pessoa inclina o rosto para o espelho, muda de ângulo, culpa o cansaço, o calor, o corretivo ruim, a semana puxada. Até entender que a pele, esse arquivo insolente, decidiu escrever. E talvez seja por isso que o melasma me pareça menos uma questão dermatológica e mais uma forma de biografia. Há coisas na vida que não passam. Só pigmentam. O rosto feminino, aliás, é um lugar curioso. Basta uma mancha e surgem os especialistas. Foi o sol. Foi hormônio. Foi estresse. Foi descuido. Sempre há alguém disposto a transformar a epiderme alheia em falha de manutenção. Mas os melasmas da vida não moram só no rosto. Há manchas que aparecem depois de uma exposição prolongada ao...