O peso da mão #00216
Ela teve três filhos. E, através dos olhos de cada um, aprendeu a enxergar o mundo de formas diferentes. Com o primeiro, entendeu que crianças nem sempre desobedecem à toa. Às vezes, apenas falam uma língua que ainda não aprenderam a traduzir. O mais velho tinha cinco anos quando começou a subir nas mesas da escola, contrariando as orientações das professoras. A escola era pequena, paredes pintadas com ursinhos, cheiro de tinta recente e sonhos novos. A dona recém-formada em pedagogia tinha amor e esperança para oferecer às crianças. As professoras ganhavam pouco, mas passavam boa parte do tempo ajoelhadas no chão, à altura dos pequenos. Havia cuidado ali. Havia presença. Até que a chamaram para conversar. Disseram que algo tinha mudado: ele estava desrespeitoso. Rebelde. Precisavam entender o que se passava. Ela ouviu. Concordou em observar. Mas dentro de casa nada tinha se rompido. Ele seguia doce, atento, inteiro. Havia algo fora do seu campo de visão. Demorou alguns dias até que el...