Bruna de cativeiro #00280
Há ambientes de trabalho em que o organograma, a missão, a visão, os valores e toda a documentação institucional deveriam vir acompanhados, por prudência, do contato de um bom veterinário. Certas instituições, quando adoecem o suficiente e por tempo bastante, deixam de formar equipes e passam a reproduzir espécies. Não contratam exatamente pessoas. Incubam comportamentos. Selecionam deformações úteis. Recompensam os traços mais adaptáveis ao lodo e, quando menos se percebe, a repartição inteira já funciona como um viveiro moral onde cada criatura aprendeu a respirar a mesma água turva sem se afogar, ou, em casos mais bem-sucedidos, com uma desenvoltura impressionante dentro dela. Foi assim que conheci Bruna. Ou, para ser mais justa com a biologia da coisa, foi assim que reconheci a espécie Bruna. Durante algum tempo, achei que se tratava apenas de uma pessoa desagradável, dessas que todo mundo jura já ter encontrado e descreve com a preguiça conceitual dos apressados. Controladora...