Águas diferenciadas #00347
A criança chega ao mundo sem Stanley. Sem copo térmico. Sem garrafa inteligente. Sem canudo ecológico. Sem identidade visual. Sem estratégia de posicionamento. Chega apenas com sede. Uma sede democrática. Uma sede que não conhece classe social, raça, CEP ou faixa salarial. Quando chora, alguém a alimenta. Direto do seio. Quando tem sede, alguém lhe oferece água. O corpo ainda não aprendeu a distinguir aquilo que o mundo logo ensinará. Depois ela cresce. Brinca na rua. Corre. Cai. Levanta. Bebe água na torneira do parque fazendo conchinha com as mãos. E a torneira continua sendo uma das últimas comunistas em atividade. A água cai para todos. Sem entrevista. Sem sindicância. Sem auditoria patrimonial. Mas a sociedade possui projetos mais ambiciosos. Logo algumas crianças aprendem que não basta beber água. É preciso beber pertencimento. Ganham garrafinhas. Depois ganham garrafas melhores. Depois garrafas mais caras. Depois garrafas que não servem apenas p...