Quem com veneno, envenena...#00293
Há pessoas que têm faro. Não para o mundo. Para o deslize. Entram num ambiente e, antes mesmo de sentar, já mapearam quem errou, onde errou e como poderia ter feito melhor. A bondade alheia também não passa despercebida — mas curiosamente nunca chega sozinha. Vem acompanhada de um “apesar de”. “Ela é ótima, mas…” “Ele ajuda, só que…” A virtude nunca basta. Precisa ser corrigida. É uma habilidade curiosa, essa de enxergar o bem e, no mesmo movimento, diminuí-lo. Como quem não tolera que algo permaneça inteiro. Tudo precisa de um corte, um ajuste, uma pequena perfuração que devolva o mundo ao lugar conhecido: imperfeito, falho, passível de crítica. Há quem admire essa agilidade. Confunde com senso crítico. Chama de lucidez. Diz que é importante ter alguém que “não passa pano”. Mas não é sobre rigor. É sobre necessidade. Porque existe um tipo de olhar que não descansa enquanto não encontra defeito. Não por compromisso com a melhora, mas por incapacidade de sustentar o que é bom sem tensio...