Os sete sermões aos mortos #00173
Em Os Sete Sermões aos Mortos, Jung revela um texto que surgiu de um período de intensa confrontação com o inconsciente. A obra se apresenta como uma série de discursos dirigidos a “mortos insatisfeitos”, figuras simbólicas que representam tudo o que, na alma, permanece sem sentido, sem forma, sem reconciliação. Eles batem à porta pedindo respostas, e o narrador — que fala sob o nome gnóstico de Basílides — responde com ensinamentos sobre a natureza da realidade, dos deuses, da psique e do centro que sustenta todas as coisas. A narrativa começa descrevendo um cosmos dividido. Há opostos em constante conflito: plenitude e vazio, vida e morte, espírito e matéria. Os mortos, inquietos, não suportam essas contradições e pedem um mundo ordenado. Basílides então lhes apresenta o Pleroma, o estado absoluto onde todos os opostos se anulam. Mas também explica que o ser humano não vive no absoluto; vive no mundo da diferenciação, onde a consciência só existe porque há contrastes. A tensão entre ...