Je fais la liste de ce qu’on ne sera plus…#00208

Enquanto danço
Faço a lista do que não serei mais.
Não por raiva.
Por exaustão lúcida.
Não serei mais
a que espera o dinheiro cair
para que algo básico seja possível.
Não serei mais
a que vai com alguém
acreditando que logo voltam para buscá-la.
Não serei mais
a que aceita casas provisórias
como se o provisório doesse menos.
Não serei mais
a que engole o “vai ficar tudo bem”
dito por quem não pretende ficar.
Não serei mais
a escolha evitada
para poupar outra pessoa.
Não serei mais
a que acredita no “eu te amo”
dito em simultâneo,
repetido,
dividido.
Não serei mais
a que tolera o “eu te amo do jeito que você é, mas…”,
porque o amor que exige correção
já vem com sentença.
Não serei mais
o intervalo confortável,
a presença funcional,
a que fica enquanto escolhem outras.
Não serei mais
a que confunde resistência com amor
nem sobrevivência com vínculo.
Essa lista não é ressentimento.
É descarte.
Deixo para trás
o que nunca foi promessa cumprida,
o que sempre pediu paciência,
o que me quis pequena para caber.
Não levo comigo
o que me ensinou a esperar pouco.
Agora sigo
não inteira,
mas sem peso morto.
E isso, pela primeira vez,
é suficiente.

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