Teses, antíteses, sínteses #00220
Prezado professor doutor,
Posso depositar em você a minha tese sobre o amor,
mesmo sabendo que ela ainda não se sustenta sozinha?
Ela ainda precisa de escuta,
de atrito,
talvez até de discordância.
Amar seria aceitar
que o pensamento precisa
de um corpo outro
para ficar em pé?
Trago comigo as antíteses que a atravessam.
Observando-te, aprendi
que amar nem sempre é resolver.
Presumo que há sistemas
tão complexos
que não conseguem provar a si mesmos;
quando tentam se fechar,
revelam apenas seus limites.
Há verdades
que só aparecem
fora do sistema.
Não é uma tese acabada.
É apenas o que consegui desenvolver
enquanto te amava
em silêncio.
Talvez nenhuma tese sobre o amor se sustente sozinha.
Talvez esse seja o seu critério de verdade.
As certezas falham,
as demonstrações cedem,
os axiomas tremem.
Só não falha esta:
a vida é muito melhor
com você.
Preciso de você
não para resolver,
mas para sustentar
esta problemática.
Em silêncio, enxerguei algo muito bonito.
Nem tudo no amor pode virar linguagem,
nem mesmo quando o amor excede
ao que pode ser dito.
Pretendo, com este experimento,
deixar que meu olhar
e meus pequenos gestos
demonstrem o que não consegui dizer até o presente momento.
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