Coerências #00215

Acreditava no amor romântico.
Desinteressado.
Amar só por amar.
Fazer o bem apenas por querer o bem.

Tomei muitos caldos no mar da vida.
Não reclamo mais, pois foi assim que aprendi a não me afogar.

Hoje, coloco-me em observatório
E quase no mesmo instante reconheço
a bondade verdadeira,
a boa vontade que não pede retorno,
o gesto educado que vem sem segundas intenções.

Com a mesma rapidez, percebo
a máscara mal colocada,
o personagem ensaiado,
o arrivista disfarçado de virtuoso.

Não é cinismo.
É experiência.

A água salgada ensinou o corpo
o que a teoria não alcança.

Por isso, agora,
quero a simplicidade.
Relações sem palco.
Afetos sem estratégia.
Presenças que não precisam provar nada.
Autenticidade!

O amor que não precisa ser anunciado.
O cuidado que não cobra.
O bem que não vira moeda.

Depois de tanto aprender a nadar em múltiplas correntes, 
escolho as águas claras.
Não porque sejam rasas,
mas porque permitem reconhecer o profundo.

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