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Mostrando postagens de julho, 2026

Auditores independentes com direito a saques? #00356

Existe um tipo curioso de visitante doméstico. Ele não toca a campainha como quem chega à casa de outra pessoa. Ele entra como quem retorna a uma propriedade da qual nunca foi proprietário. Abre a geladeira sem perguntar. Levanta tampas de panelas. Olha o interior dos armários. Acende luzes. Abre portas. Acorda os moradores. Liga a televisão. Circula pelos cômodos com a desenvoltura de quem acredita conhecer o lugar melhor do que quem mora nele. E talvez conheça mesmo. Ou pelo menos acredita conhecer a versão da casa que existe dentro da própria cabeça. Porque o problema nunca é a casa real. É a comparação constante com uma casa imaginária. Uma casa que serve de medida para todas as outras. Naquela casa o arroz fica em tal lugar. Naquela casa a carne é preparada de tal forma. Naquela casa as toalhas são dobradas de outro jeito. Naquela casa as pessoas organizam melhor as compras. Naquela casa as coisas funcionam. E toda vez que a realidade não coincide com a memória, surge um pequeno j...

Economia dos eleitos #00355

Existem pessoas que deveriam ser estudadas pela ciência. Não pela psicologia. Nem pela sociologia. Muito menos pela teologia. Pela física. Porque elas desafiam as leis fundamentais do universo. Todos nós crescemos aprendendo que recursos são finitos. Dinheiro acaba. Tempo acaba. Energia acaba. Saldo acaba. Direitos são consumidos quando utilizados. Mas algumas criaturas iluminadas parecem habitar outra dimensão. Uma dimensão onde as reservas são eternas. Conheci um homem assim. Pastor. Pregava desapego ao mundo material. Pregava humildade. Pregava compromisso com Deus. Pregava responsabilidade financeira. Especialmente responsabilidade financeira dos outros. Uma vez um cheque meu de valor tão pequeno que hoje não compra nem um café retornou sem fundos. Recebi uma repreensão quase celestial. Deus não se agrada de cheques sem fundos. A frase caiu sobre mim com o peso moral de uma nova tábua dos mandamentos. Eu tinha dezessete anos. Oito reais. Oito. Não oito m...