Amores #00248
Marina sempre acreditou que amores verdadeiros sobrevivem ao tempo.
Não porque sejam fáceis, mas porque, quando são reais, encontram um jeito de permanecer.
Quando conheceu Lucas, tudo parecia confirmar essa teoria. Conversavam por horas, planejavam viagens que talvez nunca fizessem, riam de coisas que só os dois entendiam. Havia aquela sensação rara de estar exatamente onde se deveria estar.
O problema nunca foi falta de amor.
Foi falta de espaço.
Lucas começou um trabalho novo. Marina entrou em um projeto que exigia tudo dela. As semanas passaram a ter prazos, não encontros. As conversas ficaram curtas, sempre com a promessa de que depois falariam direito.
— Quando essa fase passar — diziam.
A fase nunca passava.
Ainda se amavam. Isso era evidente nas poucas vezes em que se encontravam. No jeito automático de ocupar o mesmo espaço no sofá. Na forma como sabiam exatamente o que o outro estava pensando.
Mas o amor começou a viver de intervalos.
Dias viraram semanas. Semanas viraram meses. Nenhuma briga grande, nenhum rompimento dramático. Apenas duas pessoas que continuavam se gostando enquanto suas vidas seguiam em direções diferentes.
Um dia Marina percebeu algo estranho.
Fazia semanas que não falavam.
Não houve discussão. Não houve despedida. Apenas silêncio.
Ela pensou em mandar uma mensagem. Algo simples. Um “como você está?”.
Ficou olhando a tela por alguns minutos.
Então percebeu uma coisa que nunca tinha considerado antes.
Alguns amores não terminam.
Eles apenas deixam de acontecer.
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