Padrões #00260

Laura jurava que sempre escolhia pessoas diferentes.
O primeiro namorado era intenso demais. O segundo, distante demais. O terceiro parecia tranquilo, até se revelar igual aos outros de um jeito que ela demorou a entender.
Cada história terminava com a mesma frase dita às amigas:
— Eu não sei como isso foi acontecer de novo.
As amigas ouviam, concordavam, reclamavam junto. Cada término parecia um caso isolado, uma coincidência infeliz.
Laura também acreditava nisso.
As histórias tinham cenários diferentes. Pessoas com profissões diferentes, personalidades aparentemente opostas. Um falava demais, outro quase não falava. Um era impulsivo, outro parecia metódico.
Mas, no fim, sempre havia um momento parecido.
O instante em que ela percebia que estava mais uma vez tentando convencer alguém a ficar. Mais uma vez explicando sentimentos para alguém que parecia ouvir de longe.
Mais uma vez esperando algo que nunca chegava.
Depois do último término, Laura passou uma tarde inteira revendo conversas antigas no celular.
Mensagens de anos diferentes.
Pessoas diferentes.
Frases estranhamente parecidas.
Promessas vagas. Desculpas educadas. Silêncios que começavam pequenos e depois viravam semanas.
Ela fechou o telefone.
Pela primeira vez, em vez de perguntar por que aquelas pessoas eram sempre iguais, perguntou outra coisa.
Por que ela sempre as reconhecia como interessantes.
Ficou sentada por um tempo com essa pergunta desconfortável.
Foi quando percebeu algo simples que ninguém tinha dito antes.
Padrões não são coisas que apenas acontecem com a gente.
Muitas vezes, são coisas que a gente sabe reconhecer de longe.
E mesmo assim decide se aproximar. 

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