Permissões #00249
Eduardo sempre achou curioso como certas decisões da vida pareciam precisar de autorização invisível.
Não uma autorização oficial. Algo mais sutil. Como se, antes de fazer certas coisas, fosse necessário que alguém dissesse: pode.
Quando era criança, isso fazia sentido. Professores, pais, regras claras. Levantar a mão antes de falar. Esperar o sinal para sair. Pedir licença.
O estranho era que aquilo nunca tinha ido embora.
Adulto, ele continuava esperando.
Esperava o momento certo para mudar de trabalho. Esperava estabilidade para começar algo novo. Esperava sentir mais segurança antes de dizer o que realmente pensava.
Enquanto isso, a vida acontecia em volta.
Via pessoas menos preparadas tentando coisas maiores. Gente errando em público, começando projetos sem garantia, tomando decisões que ele ainda estava “avaliando”.
Achava aquilo irresponsável.
Ou pelo menos era o que dizia a si mesmo.
Um dia percebeu algo incômodo.
Ninguém parecia estar autorizando ninguém.
As pessoas simplesmente decidiam.
Algumas quebravam a cara. Outras davam certo. Mas nenhuma parecia estar esperando um carimbo invisível dizendo que já era permitido.
Eduardo começou a notar outra coisa também.
Os anos estavam passando.
Não dramaticamente. Nada trágico. Apenas o tipo de passagem silenciosa que só se percebe quando certas ideias começam a parecer antigas demais para ainda não terem sido tentadas.
Foi então que entendeu o equívoco.
A vida adulta não vinha com permissões.
Quem espera autorização passa anos parado diante de uma porta que nunca esteve trancada.
Só faltava girar a maçaneta.
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