Já está dentro de mim #00307

Eu não entro mais em relacionamentos para me curar.

Durante muito tempo, confundi intensidade com profundidade, dificuldade com valor e ambiguidade com mistério. Acreditei, em algum nível, que um vínculo poderia reparar o que outro feriu. Que, se fosse “o certo”, tudo se organizaria. Não se organizava. Apenas se repetia com outra forma.

Hoje eu vejo com mais nitidez.

Relacionamento não é ferramenta de cura. Não é laboratório para provar valor. Não é palco para resolver rejeições antigas. Quando usado assim, ele se torna distorcido desde o início. O outro deixa de ser um encontro e passa a ser um meio.

Eu não preciso mais disso.

Eu posso me curar sem transformar alguém em solução. Posso olhar para minhas feridas sem exigir que outro as compense. Posso reconhecer o que me atrai sem me submeter a isso automaticamente. Posso sustentar meu desejo sem perder meu critério.

Se eu me relacionar, será a partir de outro lugar.

Não para ser escolhida.
Não para ser validada.
Não para corrigir o passado.

Mas porque há clareza, presença e reciprocidade.

Um relacionamento não me cura.
Mas revela, com precisão, se eu já mudei.

E eu aceito essa medida.

Se eu ainda buscar tensão para sentir desejo, eu saberei.
Se eu ainda confundir silêncio com profundidade, eu saberei.
Se eu ainda me adaptar para não perder, eu saberei.

E, sabendo, posso escolher diferente.

Eu não preciso evitar o vínculo para me proteger.
Mas também não preciso entrar nele para me completar.

Eu me encontro primeiro.

E, a partir desse centro, eu posso ou não me relacionar.
Sem pressa. Sem carência. Sem ilusão.

O que é real não exige que eu me diminua para existir.
O que é inteiro não nasce da falta, mas da presença.

E eu volto sempre a esse ponto:

Eu não uso o outro para me curar.
Eu me relaciono quando já não preciso ser curada por ele.

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