A Imperatriz # 00367

A Imperatriz não é simplesmente "a mãe", "a mulher" ou "a fertilidade". Ela representa a consciência descobrindo que criar é uma responsabilidade. Depois do silêncio da Sacerdotisa, alguma coisa precisa nascer.

A Imperatriz não sonha. Ela gera.

Depois que o Louco descobriu as possibilidades, o Mago aprendeu a agir e a Sacerdotisa ensinou a escutar, chega o momento de perguntar:

O que você fará nascer no mundo?

A Imperatriz é a primeira consciência verdadeiramente criadora.

Ela percebe que pensar não basta.

Sentir não basta.

Compreender também não basta.

Tudo isso precisa ganhar forma.

No primeiro nível do jogo, ela descobre o prazer de criar.

Uma ideia.

Um jardim.

Uma amizade.

Uma casa.

Um filho.

Um livro.

Uma empresa.

Uma refeição.

Pouco importa a forma.

Criar é permitir que algo que não existia passe a existir através de você.

Mas logo ela aprende que criar também é cuidar.

Não basta plantar.

É preciso regar.

Não basta começar.

É preciso sustentar.

E talvez esse seja o primeiro grande choque da Imperatriz.

Ela percebe que o encanto da criação dura um instante.

A manutenção dura uma vida inteira.

Em níveis mais profundos, ela compreende algo ainda mais delicado.

Nem tudo o que nasce precisa continuar vivo.

Algumas criações cumprem seu papel.

Outras adoecem.

Outras se tornam prisões para o próprio criador.

A Imperatriz aprende, então, que amar não é possuir.

É favorecer o crescimento.

Mesmo quando esse crescimento segue caminhos diferentes daqueles que ela imaginou.

Ela deixa de produzir por vaidade.

Começa a produzir por abundância.

Porque existe uma diferença enorme entre quem cria para ser reconhecido e quem cria porque transborda.

No início, ela quer deixar marcas.

Depois, quer deixar frutos.

Mais adiante, percebe que os frutos produzirão sementes que talvez nunca veja florescer.

E isso deixa de incomodá-la.

No nível mais alto desse arcano, a Imperatriz compreende que a verdadeira criação nunca pertence inteiramente ao criador.

O livro encontra seus leitores.

O filho encontra seu caminho.

A árvore oferece sombra a quem nunca plantou.

A ideia ganha interpretações que jamais passaram pela cabeça de quem a escreveu.

Tudo o que nasce começa, aos poucos, a escapar das mãos de quem lhe deu origem.

E talvez essa seja a maior lição da Imperatriz.

Criar não é fabricar extensões de si mesmo.

É colaborar para que a vida continue criando através de você.

Nesse momento, o jogador percebe que a criatividade não é um talento.

É uma forma de participar da própria expansão da existência.


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