A mulher que precisava explicar


Ela tinha o hábito de explicar tudo.
Por que não queria ir.
Por que havia se afastado.
Por que aquela situação a incomodava.
Por que determinada palavra havia doído.
Achava que, se encontrasse a explicação perfeita, finalmente seria compreendida.
Um dia percebeu que estava há vinte minutos justificando um simples “não”.
A pessoa do outro lado continuava fazendo perguntas.
Ela parou no meio da frase.
Respirou.
“Eu simplesmente não quero.”
Foi estranho.
Parecia pouco.
Mas era suficiente.
Naquela noite, escreveu:
Meu limite não precisa ser compreendido para ser válido.
E, pela primeira vez, percebeu que algumas explicações não esclarecem.
Apenas abrem novas portas para negociação.

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