O homem que entrava em todas as guerras


Ele tinha uma opinião sobre tudo.
Se dois amigos brigavam, entrava.
Se alguém criticava outra pessoa, defendia.
Se havia uma injustiça numa conversa, precisava corrigi-la.
Se alguém estava errado, ele precisava provar.
Vivia cansado.
Um dia percebeu que havia passado a manhã inteira defendendo uma pessoa que nem sabia que estava sendo defendida.
Sentou-se.
Pensou.
Talvez coragem não fosse participar de todas as batalhas.
Talvez fosse saber quais mereciam sua presença.
Naquele dia, escreveu:
Nem todo conflito que chega até mim é meu.
Depois:
Não transformarei minha consciência em serviço de emergência para problemas alheios.
Foi a primeira tarde, em muitos anos, em que ninguém precisava que ele salvasse nada.

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