A violência de quem diminui os outros sem precisar levantar a voz #00464

Sobre desautorização, pequenas humilhações e a covardia disfarçada de brincadeira no ambiente de trabalho.

Existem ambientes de trabalho nos quais ninguém precisa gritar, ofender abertamente ou fazer uma acusação explícita para que alguém se sinta diminuído. Não é necessário bater na mesa, usar palavras grosseiras ou protagonizar uma discussão. Às vezes, a violência é muito mais discreta. Acontece em uma alteração aparentemente banal, em uma opinião ignorada, em um trabalho modificado sem explicação, em uma troca de olhares, em uma risadinha compartilhada entre colegas. Acontece, sobretudo, quando alguém percebe que pode desconsiderar o outro sem precisar prestar contas por isso.

São pequenas atitudes que, isoladamente, podem parecer insignificantes para quem as pratica. Para quem as recebe repetidamente, porém, elas podem se transformar em uma experiência profunda de desgaste, constrangimento e perda de confiança.

O problema é que quem protagoniza essas situações quase sempre dispõe de uma justificativa pronta. Diz que apenas corrigiu um texto, que tinha o direito de fazer uma alteração, que não gostou da maneira como determinada tarefa foi executada, que estava brincando ou que a outra pessoa é sensível demais. Cada episódio, examinado separadamente, parece pequeno o suficiente para ser defendido. O conjunto, entretanto, conta outra história.

E talvez seja justamente aí que resida uma das características mais perversas desse comportamento: a capacidade de produzir desconforto sem assumir responsabilidade por ele.





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Hostilidades gratuitas...#00218

Teses, antíteses, sínteses #00220

Especialista em microgerenciamento - foi aqui que chamaram um? #00201