Hoje #00450

Hoje eu votei.

Votei de acordo com aquilo que acredito, com o que estudei, com o que considero importante para o país. E, ainda assim, não fui suficiente.

Talvez o mais difícil não seja perder uma escolha. É olhar para o resultado e não conseguir compreender como tantas pessoas chegaram a conclusões tão diferentes das minhas.

Eu já não tenho mais disposição para debater. Não porque tenha deixado de me importar, mas porque estou cansada de transformar tudo em disputa. Cansada de explicar o óbvio para mim e descobrir que aquilo que considero óbvio para outra pessoa sequer existe.

Às vezes me pergunto por que tanta gente parece disposta a apostar no confronto, na instabilidade, no ressentimento, como se o caos fosse uma espécie de solução. Mas talvez essa também seja uma simplificação confortável. As pessoas votam por medo, raiva, identidade, esperança, interesse, convicção, desinformação. Cada uma enxerga o país a partir de um lugar diferente.

O que me resta agora é aceitar uma coisa que a democracia exige, embora seja difícil: meu voto não precisa vencer para ter sido coerente com aquilo em que acredito.

Hoje eu não quero convencer ninguém.

Quero apenas recuperar o silêncio necessário para observar o que acontece daqui para frente.

Porque votar é uma escolha.

Mas viver com as consequências das escolhas coletivas é outra coisa.

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