Ontem #00451
Ontem eu ouvi uma coisa que me deixou pensando.
Minha cunhada votou e, quando falei sobre política, ela pediu que eu respeitasse a opinião dela.
Perguntei qual era a opinião.
Ela não soube dizer.
Depois disse que o voto dela não valia de nada e que, por isso, iria orar.
E talvez esteja aí uma das coisas que mais me incomodam em uma eleição.
Não é alguém votar diferente de mim.
Isso é democracia.
É votar sem saber exatamente o que está escolhendo, tratar o próprio voto como irrelevante e, ainda assim, exigir que aquela escolha seja recebida como uma opinião que merece o mesmo peso de uma posição minimamente pensada.
O voto de cada um vale um.
O problema é o que cada um decide fazer com esse um.
Uns estudam, comparam, questionam, tentam entender. Outros escolhem por identificação, repetem o que ouviram, seguem uma crença e depois entregam a responsabilidade para Deus, para o destino, para os outros ou para qualquer coisa que os poupe de pensar sobre a própria escolha.
E depois todos nós vivemos o resultado.
É aí que está minha frustração.
Não quero que todo mundo pense como eu.
Quero que as pessoas pensem.
Porque democracia não exige unanimidade.
Exige cidadãos capazes de assumir que uma escolha política é, antes de tudo, uma escolha.
E se você não sabe explicar por que votou em alguém, talvez o problema não seja o seu voto valer pouco.
Talvez seja você ter dado pouco valor a ele.
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