Para quem se reconhece nessas atitudes #00476

Se, ao ler este texto, você se reconheceu em alguma dessas situações, talvez a primeira reação seja procurar uma exceção.

Talvez você pense que nunca teve a intenção de ofender. Que apenas fez uma correção necessária. Que as piadas não eram tão sérias. Que o colega deveria saber lidar melhor com críticas. Que você também já foi alvo de comentários e nunca se incomodou.

Pode ser que algumas dessas considerações sejam verdadeiras. Mas nenhuma delas responde inteiramente à questão central.

Você já considerou, com honestidade, como suas atitudes afetam as pessoas com quem trabalha?

Quando modifica o trabalho de alguém, você explica o motivo ou simplesmente substitui o que a pessoa fez?

Quando discorda de uma decisão, conversa com o responsável ou transforma o episódio em assunto para os colegas?

Quando percebe que uma pessoa ficou constrangida, procura compreender o que aconteceu ou imediatamente a acusa de exagero?

Quando uma piada depende de alguém ser colocado em uma posição inferior, você participa porque realmente considera aquilo engraçado ou porque deseja compartilhar a cumplicidade do grupo?

E, talvez mais importante: você seria capaz de agir da mesma maneira se a pessoa envolvida ocupasse uma posição hierárquica superior à sua, tivesse maior prestígio na instituição ou pudesse responder à situação sem sofrer consequências?

Essas perguntas não servem para produzir uma condenação automática. Servem para interromper o mecanismo pelo qual transformamos nossos hábitos em comportamentos aparentemente naturais e, por isso, incontestáveis.

É possível que você nunca tenha percebido o que estava fazendo. É possível que tenha aprendido esse modo de agir em ambientes nos quais ele era considerado normal. É possível que também esteja reproduzindo uma cultura que não criou.

Mas, a partir do momento em que você reconhece a possibilidade de estar contribuindo para o problema, passa a ter uma escolha.

Pode continuar procurando justificativas para não mudar. Ou pode admitir que ser respeitado pelos colegas não lhe dá o direito de desrespeitá-los.

Pode insistir que tudo não passa de brincadeira. Ou pode perguntar por que determinadas pessoas são sempre o objeto dela.

Pode continuar confundindo autoridade com superioridade. Ou pode aprender a sustentar suas decisões sem diminuir quem pensa de outra maneira.

A escolha não exige perfeição. 

Exige responsabilidade.




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Hostilidades gratuitas...#00218

Teses, antíteses, sínteses #00220

Especialista em microgerenciamento - foi aqui que chamaram um? #00201