Cordialmente,... #00336
Esse texto pode parecer uma peça de acusação filosófica contra a burocracia emocional contemporânea. Valemo-nos dos exageros para expor o que é ridículo, insensato e o que se deve parar de ser produzido no meio humano. Voilá! Aos fatos: Outro dia um Superior disse que deveríamos ser mais cordiais nos e-mails. Achei curioso. Porque cordialidade institucional costuma funcionar como perfume aplicado em ambiente com vazamento de gás. A prioridade nunca é resolver o vazamento. É manter aparência respirável. O problema nunca é a negligência. É a má impressão que a negligência possa causar. Não importa que pessoas aguardem meses por respostas capazes de alterar suas vidas. Não importa que demandas desapareçam em gavetas digitais. Não importa que trabalhadores adoeçam tentando sustentar estruturas emocionalmente falidas. Não importam os contextos. Importa que o e-mail termine com: “Cordialmente.” O capitalismo burocrático desenvolveu uma obsessão estética pela delicadeza super...