Whatever: uma breve etnografia do pequeno poder #00199
Trabalhar numa universidade renomada tem seus encantos. Prédios bonitos, gente importante circulando nos corredores, dividindo o elevador com gente comum, fomentando discursos sobre inclusão, ética e futuro. E, claro, os régulos — essa espécie fascinante que floresce onde um crachá vira cetro. O meu departamento foi nomeado para cuidar de assuntos transversais das diversidades. A estrutura no início contava com alguns estagiários e estes pesquisavam alguns temas sensíveis, desses que viram relatórios, protocolos e, mais tarde, serviços públicos. A engrenagem institucional recém reformulada, ainda estava lenta e cheia de zonas cinzentas, com muitas atividades a serem descobertas e cobertas ainda. Muitas coisas estavam mudando. Novos setores sendo criados, outros adaptados, outros simplesmente sendo politicamente apagados. No meio dessa transição toda, uma estagiária — jovem, atenta, ainda não completamente domesticada — percebeu as mudanças poderiam impactar seu futuro, pois seu objeto ...