Quando ainda sabemos esperar #00433
Há uma idade em que acordamos antes do dia nascer porque alguma coisa vai acontecer. Não sabemos exatamente o quê. Sabemos apenas que existe um mar esperando por nós. Em “Banhos de mar”, Clarice Lispector volta à infância para falar dessas manhãs em que sair para o mar era uma espécie de acontecimento. Havia o escuro, o despertar cedo, a expectativa. O dia ainda não tinha começado e, no entanto, alguma coisa já estava sendo esperada. Talvez seja isso que a idade adulta nos roube primeiro: a capacidade de esperar sem exigir garantias. Quando somos crianças, uma promessa pode ser suficiente. O mar existe. O dia vai clarear. Alguém vai nos levar. Basta isso. Depois crescemos. Aprendemos que o mar também pode estar frio. Que pode chover. Que alguém pode não aparecer. Que certas promessas não eram promessas coisa nenhuma. Aprendemos a desconfiar daquilo que ainda não aconteceu porque já conhecemos algumas das coisas que podem dar errado. E então começamos a chamar prudência aquilo que, às v...