Entrelinhas #00217
Depois de tudo o que aconteceu entre eles, ela sentou e escreveu. Não havia intenção de enviar, nem de publicar, nem de produzir efeito algum no mundo. Era apenas uma necessidade fisiológica da alma: dizer, para que nada ficasse preso na garganta, para que nada vazasse depois em atos falhos, em excessos, em silêncios duros demais. Escreveu para não adoecer do que sentia. Eis o que saiu: Tenho pensado em te escrever não por urgência, nem por falta, nem para dizer algo que precise ser respondido, mas por clareza. Algumas presenças merecem ser nomeadas com cuidado, porque tocam algo essencial e silencioso ao mesmo tempo. A tua presença, mesmo à distância, teve um efeito em mim que talvez você nunca tenha percebido. E tudo bem. Não foi nada grandioso no sentido externo. Foi mais sutil do que isso. Algo se organizou em mim a partir do jeito como você se coloca no mundo, da forma como se aproxima sem invadir, como escuta sem tentar conduzir. Estar em contato com você me trouxe um bem-es...