A mulher que precisava explicar #0399
Ela tinha o hábito de explicar tudo. Por que não queria ir. Por que havia se afastado. Por que aquela situação a incomodava. Por que determinada palavra havia doído. Achava que, se encontrasse a explicação perfeita, finalmente seria compreendida. Um dia percebeu que estava há vinte minutos justificando um simples “não”. A pessoa do outro lado continuava fazendo perguntas. Ela parou no meio da frase. Respirou. “Eu simplesmente não quero.” Foi estranho. Parecia pouco. Mas era suficiente. Naquela noite, escreveu: Meu limite não precisa ser compreendido para ser válido. E, pela primeira vez, percebeu que algumas explicações não esclarecem. Apenas abrem novas portas para negociação.