Ao mesquinho do outro lado da linha #00207
Quando o telefone do outro toca, eu saio da sala para dar privacidade à conversa. Não é obrigação, é cuidado. Ainda assim, escuto: “Deve estar arranjando desculpas para sair da sala e não trabalhar". Quem liga e quem atende para jogar papo fora é que deve estar fugindo de suas próprias tarefas. Não me julgue por sua régua. Não arranjo desculpas. Não manipulo horários. Não faço do espaço dos outros meu território. Mesquinharia querer controlar o gesto alheio, medir a intenção, julgar o cuidado. Acreditar que todo ato de respeito precisa ser explicado, como se a responsabilidade só existisse em mim. Não preciso me justificar para quem ignora empatia. Não preciso provar cuidado a quem prefere inventar acusações. Quem é mesquinho transforma gentileza em delito. Eu saio. E continuo existindo. Sem culpa. Sem explicação. Desligue logo que eu sento de volta para continuar o meu labor.