Domesticações, rótulos e funções #00233
É interessante observar certos comportamentos humanos. Mais ainda quando se é atravessado por eles. Algumas pessoas têm a necessidade de rotular o outro a partir das próprias limitações. Não enxergam uma pessoa em movimento, mas uma imagem fixa. E a imagem, para elas, precisa permanecer exatamente como foi impressa e no lugar onde foi colocada. Surge então a etiqueta: discreta, invisível, mas rígida. No início, tudo pode parecer relação. Há troca, presença, até afeto. Mas, silenciosamente, instala-se uma expectativa não verbalizada: você permanece aqui porque foi aqui onde eu lhe conheci. Fique aqui porque é assim que eu quero. Fique no lugar em que eu entendi que você deve ficar. Não são pedidos conscientes. São necessidades internas. Enquanto você continua reconhecível, tudo funciona. Talvez a analogia com a domesticação ajude a entender. Algumas pessoas só sabem se relacionar com aquilo que pode ser condicionado. Aquilo que só requer um tipo de ração, horários previ...