Automático #00255
Carlos acordava às 6h12. Não porque precisava exatamente desse horário, mas porque o despertador tocava assim desde que comprara o celular novo. Nunca mudou. Levantava, tomava café, saía de casa às 7h03. Pegava o mesmo caminho, atravessava as mesmas ruas, cumprimentava o porteiro com a mesma frase curta de sempre. — Bom dia. O dia acontecia como um roteiro conhecido. Trabalho, reuniões, tarefas resolvidas em sequência. Almoço rápido. Mais trabalho. No fim da tarde, voltava para casa pelo mesmo trajeto, com a sensação vaga de que o dia tinha sido cheio, embora fosse difícil lembrar exatamente do quê. À noite, ligava a televisão sem realmente assistir. Antes de dormir, passava alguns minutos olhando o celular. Notícias, fotos, mensagens rápidas que não exigiam respostas longas. Depois apagava a luz. No dia seguinte, tudo começava outra vez. Nada estava errado. O trabalho era estável. A saúde, razoável. As contas, pagas. A vida seguia sem grandes crises, sem grandes surpresas. Durante ano...