O que escapa quando falamos #00459
Há palavras que pronunciamos porque queremos dizê-las. Outras parecem escapar antes que tenhamos tempo de decidir se deveriam ser ditas. Entre a intenção e a palavra pronunciada existe um território complexo, onde nem sempre temos pleno domínio sobre aquilo que pensamos, sentimos ou desejamos expressar. A psicanálise chamou a atenção para esse território por meio do conceito de ato falho. Foi Sigmund Freud quem sistematizou o estudo dos lapsos da fala, dos esquecimentos e de outros pequenos erros da vida cotidiana, atribuindo-lhes um possível significado psíquico. Em sua perspectiva, aquilo que parece um simples acidente pode, em determinadas circunstâncias, expressar a interferência de pensamentos, desejos, sentimentos ou conflitos que não estavam conscientemente presentes na intenção original. Uma pessoa pretende dizer uma coisa e diz outra. Esquece um nome justamente quando precisa pronunciá-lo. Troca uma palavra por outra que, embora inadequada à frase, parece estranhamente rel...