Plasticidades #00282
Há quem não saiba conviver com o mundo. E por isso mesmo esse tipo de gente vive de edição. São pessoas que passam pela realidade como quem ajusta uma vitrine: alinham, rejeitam, substituem, corrigem, até que tudo pareça caber dentro de uma ideia estreita de beleza que, curiosamente, nunca foi testada no peso das coisas vivas. O problema não é o critério. É quando o critério passa a valer mais do que o que existe. A garota foi vítima disso logo cedo, quando ainda não sabia nomear seu desconforto com a situação que se seguiu. Ela toda feliz fez um pudim. Não era perfeito. A forma estava levemente amassada, dessas que já viveram outras cozinhas, outros usos, outras tentativas. Mas o pudim estava bom. Era um gesto e uma tentativa. Também uma oferta. Uma presença materializada em açúcar e cuidado. A mãe olhou e fez cara feia. Não pelo sabor. Pela forma. Há rejeições que não atingem o objeto. Atingem o gesto inteiro. Não era sobre o pudim. Era sobre a mensagem silenciosa: "o que v...