Amizades em modo aplicativo #00362
Existe um tipo de amizade contemporânea que não foi criada pelos aplicativos de relacionamento. Os aplicativos só deram interface para algo que já existia. A lógica é simples. Presença sob demanda. Afeto sob conveniência. Continuidade sob baixa prioridade. Funciona assim também fora das telas. Pessoas entram e saem da vida umas das outras como quem circula entre abas abertas. Uma hora você é companhia. Noutra você é recurso emocional. Noutra você é lembrança funcional. E na maior parte do tempo você simplesmente não é. Não por rejeição explícita. Mas por ausência de necessidade imediata. A relação só se ativa quando há vazio. Quando há solidão. Quando há quebra de outra narrativa mais interessante. Ou quando a vida desorganiza o centro de gravidade de alguém. Nesse momento, a amizade reaparece. Como se nunca tivesse saído. Mas ela saiu. Ela sempre sai. Só não deixa rastros dramáticos. Apenas silêncio entre acessos. O mais curioso é que isso não é exclusividade ...